terça-feira, 4 de outubro de 2005

Cubatão e o exemplo que não queremos seguir


Cubatão sofreu com fortíssimas chuvas ácidas nas décadas de 70 e 80. A floresta da encosta morreu, causando desabamentos que mataram muitas pessoas que habitavam as encostas. O número de crianças que nasciam com anencefalia era seis vezes maior do que em qualquer outra parte do mundo. Os níveis de metemoglobinas nos trabalhadores das fábricas eram muitas vezes maior do que os níveis máximos aceitáveis. Todo este quadro valeu a Cubatão a alcunha de Vale da Morte.

Os diretores das fábricas moravam em Santos ou São Paulo, enquanto que os funcionários amontoavam-se em bairros industriais, sujeitos à poluição 365 dias por ano. Assim como em muitas outras partes do Brasil, cada novo empreendimento atraia centenas ou até milhares de pessoas para a região. Após o término da fase de construção, a maioria dos imigrantes ficava desempregada e invadia alguma área para se assentar. E esse ciclo se repetiu muitas vezes. Assim, cada bairro pobre e ilegal da cidade está associado a uma fábrica, refinaria ou rodovia. Aqueles bairros que se vê na serra na Imigrantes, em meio ao Parque estadual da Serra do Mar são um exemplo
deste processo. São os bairros cota.

No começo dos anos 90 os níveis de poluição começaram a ser controlados devido a forte repercussão que o "vale da morte" gerou no mundo. Hoje, as industrias do complexo produzem muito mais do que produziam naquela época, a um custo ambiental inúmeras vezes menor. Precisava acontecer tudo isso para que as coisas fossem feitas de maneira correta? Porque esse controle não foi feito desde o início? Existia tecnologia acessível,que não era financeiramente proibitiva. O valor que estas indústrias economizaram naquela época, toda a sociedade pagou e continua pagando. Este custo é mais elevado do que teria sido o custo da prevenção.

Os custos da poluição e da dregradação ambiental devem ser arcados pelo empreendedor. Já que os lucros de tais empreendimentos não são socializados, os custos ambientais, financeiros e sociais causados por uma fábrica, por exemplo, não deveriam ser arcados por toda a sociedade.

1 comentários:

Renata disse...

Infelizmente o ser humano só muda suas atitudes quando está com a corda no pescoço. Assim foi com Cubatão e assim será sempre.
Mas sem dúvida informações como estas nos alerta para o tamanho do descaso e egoísmo que ronda nossa humanidade. Só não sei onde isso tudo vai parar.